abril 07, 2009

Quinze Anjos na esquina

Jan...(a menina) queria tomar um banho e Marc...(o menino) não queria se separar dos amigos, nada anormal se os dois não fossem parte de um grupo de 15 crianças com necessidades especiais, que viraram brinquedinhos de gente grande e, anormal!
Janaína queria saber se na casa para onde ela estava sendo forçada a ir tinha chuveiro e toalha pois ela estava com muito calor e se sentindo muito suja e, chorava desesperada por causa disto. Marcelo gritava agressivo e socava as portas e chutava em todas as direções , porque não queria ir para a outra casa onde estava indo contra a sua vontade sem levar seus dois amiguinhos, que eu nesta aflição nem mesmo lembro dos nomes.
Os outros treze sofreram em doses iguais e tiveram reações cada um a sua maneira, e eu chorei e desculpe estou chorando agora, eu não tinha visto de perto tamanha covardia por parte de adultos contra crianças, só dos noticiários, assim de perto me fez me sentir um animal. Foram três horas nesta agonia de crianças desesperadas e gritando e chorando, mordendo umas as outras de tão apavoradas que estavam e se agrediram e agrediram as moças e senhoras que cuidavam delas que mesmo agredidas lhes respondiam com palavras suaves e carinho.
Nunca em outra ocasião tinha me aproximado de tanto sofrimento e o acaso me pregou esta peça, apesar do ocasional, de amigos e conhecidos de ambos os lados dentro da casa, eu só estava passando e vi quando dois garotos desesperados pularam os muros e corriam desorientados por entre os carros da avenida com evidente perigo de ocorrer uma tragédia, tão somente porque não queriam ir embora com aqueles que estavam ali para levá-los e deixar para trás os amigos, eles passaram raspando ao caput do meu carro, foi Deus quem desviou eles do meu para choque e me fez voltar e ver o que estava acontecendo, e eu voltei e entrei na casa, e talvez tenha doado um pouco de minha atenção e dedicado algum respeito aos pequenos. Num último momento de desespero o menino Marc... antes de ser levado embora voltou correndo e gritando pela lateral da casa, junto dele os dois amiguinhos se agrupando e se embolando os três, buscando se protegerem, como fazem os animais em bando quando acuados,
desesperados, deu um imenso trabalho pra convencê-los a ir embora dali pro outro lugar onde iam levá-los, apavorante !
Aquilo tudo que vi era um capítulo de uma batalha, acho eu que de estúpida vaidade e as vitimas crianças! Uma querra de canalhices e as vítimas crianças ! uma disputa animalesca de forças e as vítimas crianças !
Zambia, Zimbabwe, Etiópia, não ! Vinte e Oito de Março, esquina com Alzira Vargas, APIC.
Eu fiquei até que as crianças fossem levadas em carros, três ou quatro carros de passeio, um cortejo com condutores vitoriosos e alguns até sorridentes. Aos Generais contendores, jubilem-se, vocês são covardes !
Se tiverem coragem olhem nos olhos de seus filhos e netos e lembrem-se, fostes e são covardes ! Não consideraram em momento algum que eram crianças e crianças com necessidades especiais, satisfizeram o ego de um e colocaram sob os pés o outro, mas mesmo assim se vitoriosos ou derrotados , vocês são covardes !

Não acredito que aqueles pequenos Quinze Anjos estejam dormindo , mesmo a esta hora, eu vi desespero demais nos olhinhos deles, e desespero tira o sono, não o de vocês ! Quando cheguei em casa agradeci a Deus pelo meus filhos terem saúde e estarem sobre minhas asas, e eu estou chorando de novo , não tô legal não , não vou conseguir dormir ! Deus tenha piedade de vossas almas e os perdoe, porque eu não sou Deus e não vou conseguir perdoá-los !

Zé Armando

Imbé

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